Prelectores/Comunicações

2015

PRELECTORES

A sessão I - Política Desportiva Regional e Desporto Autárquico - contará com as intervenções do Secretário Regional de Educação, Jorge Carvalho, e do Presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, Filipe Sousa.
Na sessão II - Eventos e Promoção Turística Desportiva - serão oradores o Presidente da Associação de Atletismo da Madeira, Policarpo Gouveia, a Presidente do Clube Naval do Funchal, Mafalda Freitas, o Presidente do Clube de Montanha do Funchal, Nuno Gonçalves, e a empresária Corina Bachmeier.
Para a sessão III - Gestão e Rentabilização de Recursos Humanos - , a primeira do período da tarde, o evento conta com a presença do ex-Secretário Regional de Educação, Francisco Santos, do docente da Universidade da Madeira, Ricardo Fabrício, e do professor Rui Mâncio.
Na sessão IV - Desafios do Clube do Futuro - as preleções ficarão a cargo do Presidente do CS Marítimo, Carlos Pereira, da Presidente da Associação Náutica da Madeira, Pilar Jardim, e do Diretor Técnico da Associação Desportiva e Recreativa de Água de Pena (ADRAP), Manuel Almeida.
A sessão V - Gestão por Objetivos e Treino Mental - ficará a cargo da Executive Coach Ana Umbelino. 


2013


Hélder Lopes
Universidade da Madeira
Tema: O Desporto – a negação do ócio

Resumo:

O desporto é, de facto, uma ferramenta com enormes potencialidades. Mas que não se exagere, não é uma espécie de “banha da cobra” que serve para tudo e mais alguma coisa…e, ainda por cima, tratado de qualquer maneira.
Para que o desporto possa cumprir a sua função, na educação, na saúde, no lazer, no desenvolvimento dos indivíduos e sociedades, etc. e de uma forma eficiente, é preciso estruturar devidamente a forma de o explicar e compreender, as políticas a seguir, a divulgação e informação que é feita, etc.
Para que os consumidores de desporto possam ser “amadores”, retirando do desporto tudo o que é possível e ao mais baixo custo (não só financeiro, mas também no tempo que se perde, no esforço que se emprega, nas lesões resultantes, etc.) é fundamental que os seus “produtores” (dirigentes, treinadores, etc.) sejam profissionais competentes.
Como? Quando? Porquê? Que estratégias e metodologias? Que investimentos e que retornos?
As respostas a estas questões serão o cerne da nossa intervenção, pois pensamos que existe todo um leque de possibilidades que devem ser equacionadas e exploradas para que as decisões que se venham a tomar sejam o resultado de opções conscientes e não a imposição de alguns “iluminados”.





Dr. Duarte Freitas
Professor de Educação Física – Treinador do Madeira Andebol, SAD
Tema: “Benefícios da crise - Propostas de uma reflexão na primeira pessoa”


Resumo:


Em momentos como este vivemos com dificuldades em enquadrar os nossos pressupostos anteriores, com a instabilidade diária pelas incertezas, que na sua maior expressão encontramos a liquidez financeira, que já não nos permite dar a continuidade ao que até então vivemos. Chamamos e ouvimos reclamar de uma crise que atravessamos, alguns motivos são dum contexto mais abrangente ao qual a influência na nossa ação pode parecer mais insignificante, mas outros motivos são da nossa responsabilidade.
Falarmos em crise, em épocas de crise, é falarmos de oportunidade, sem querer divagar numa analise mais filosófica da palavra crise, quer pela sua génese quer pelas características que esses momentos abrangem.  Estamos perante momento ótimo para rever, refletir e alterar os pressupostos que nos levaram por um determinado rumo, que parecem não mais existir.
No universo desportivo que tomos vivemos, os efeitos da crise económica que vive o pais e a região têm sido muito marcantes, a asfixia com que todas as instituições se deparam é tremenda, constatando simplesmente pela forma como se manifestam os seus representantes.
Épocas onde o desporto da Madeira era visto como exemplar, que provocou e promoveu muito desenvolvimento económico e social, parecem longe de voltar a existir. Aqui quero felicitar as medidas estruturais que foram de grande importância para o desenvolvimento do desporto madeirense, cujas repercussões vão além fronteiras.
Falamos então de algumas dessas medidas, que na minha opinião foram de extrema importância, a Universidade da Madeira e o seu departamento de desporto que, ao longo dos últimos anos, tem evoluído com o desporto madeirense, o grande investimento ao nível do desporto escolar em especial ao nível da atividade do 1º ciclo exemplo para todo o país, a política de destacamento de recursos humanos qualificados para o movimento associativo, a melhoria das instalações desportivas quer pela construção de novos espaços quer pelas melhorias nas infraestruturas já existentes.
Podemos ser sempre críticos e achar que poderiam ter sido feitas mais e melhores coisas, sim, mas também poderíamos ter bem menos. Devemos valorizar o que foi feito de bom e garantir que estas e outras medidas permitir-nos-á manter o desporto madeirense como uma atividade de grande importância económica e social para todo o pais, e continuarmos a obter resultados que a todos nos orgulha.
Contudo, há sempre algo que devemos corrigir, em qualquer processo encontramos sempre pontos onde falhamos ou o resultado não foi o esperado e então temos que assumir, tomar consciência muitas vezes e aceitar que falhamos; faz parte.
Vivendo muito estes últimos anos em diversos níveis no imenso contexto desportivo, experienciei diferentes perspectivas, algumas até com alguma perplexidade em acreditar que aconteceram. É dessa experiência que sai a minha reflexão sobre este assunto - o desporto na Madeira.
Concretamente, e no que diz respeito a propostas para a valorização do desporto madeirense, sou da opinião que deveríamos ter um quadro único competitivo, para desporto escolar e federado, a formação desportiva não pertence a ninguém e pertence a todos, desde que o façam de forma consciente, organizada e séria.
A participação na competição nacional ou fora do âmbito regional deverá ser reequacionada. Porque necessitamos de o fazer? Necessitamos de saber diferenciar o fundamental e importante do imprescindível.
Diferenciação clara sobre atividade desportiva normal da excecional, para quem leva o nome da Madeira além fronteiras, em especial no patamar olímpico.
Por último, sempre fui educado em que a palavra do HOMEM vale mais do que qualquer documento escrito ou formalidade protocolada.  E urge recuperar a CREDIBILIDADE nessas palavras, com a ação correspondente, com a determinação e a vontade de as fazermos cumprir.




Dr. Micaela Neto
Mestre em Actividade Física e Desporto
Workshop: Desafios para os clubes/associações na área do Fitness, Lazer, Recreação, Turismo e Desporto para todos

 Resumo:
1.Contextualização
Os benefícios da prática regular de atividade física e desportiva são cada vez mais relevantes e conhecidos de todos. De acordo com os eurobarómetros referentes a 2004 e 2009 tem-se registado um aumento nos praticantes regulares de exercício. Na verdade, atualmente é muito mais comum assistir diariamente a pessoas fazendo a sua atividade quer seja orientada ou não, em marcha, corrida, bicicleta em ambientes outdoor ou em ginásios e outros espaços desportivos.

Os benefícios estão mais que estudados e comprovados e indicam que quem pratica beneficia especificamente através da:
› Redução do risco de doença cardiovascular;
› Prevenção e/ou atraso no desenvolvimento de hipertensão arterial, e maior controlo da tensão arterial em indivíduos que sofrem de tensão arterial elevada;
› Bom funcionamento cardiopulmonar;
› Controlo das funções metabólicas e baixa incidência da diabetes tipo 2;
› Maior consumo de gorduras, o que pode ajudar a controlar o peso e diminuir o risco de obesidade;
›Diminuição do risco de incidência de alguns tipos de cancro, nomeadamente dos cancros da mama, da próstata e do cólon;
› Maior mineralização dos ossos em idades jovens, contribuindo para a prevenção da osteoporose e de fraturas em idades mais avançadas;
› Melhor digestão e regulação do trânsito intestinal;
› Manutenção e melhoria da força e da resistência musculares, o que resulta numa melhoria da capacidade funcional para levar a cabo as actividades do dia-a-dia;
› Manutenção das funções motoras, incluindo a força e o equilíbrio;

E se estas indicações são bem verdade para jovens e adultos, mais ainda se ajustam à população sénior:
- Nos idosos por cada dez minutos adicionais de atividade física pelo menos moderada, observa-se uma diminuição de ~ 10% do risco de obesidade abdominal.
- Idosos insuficientemente activos têm maior prevalência (77%) de obesidade abdominal. Têm, ainda, o dobro de probabilidade de terem depressão e menor aptidão física funcional e menor funcionalidade nas tarefas do dia-a-dia

Reforçando estas indicações com a experiência pessoal de trabalho com esta população, é expressivo e patente que os benefícios do exercício nesta população são fulcrais para a manutenção das suas capacidades e ao invés, aqueles que não praticam, vêm as suas capacidades a reduzirem de dia para dia. As pessoas que participam regularmente nas nossas atividades (AD Campanário) são notoriamente mais felizes e autónomas.
Para além de todos os benefícios de cariz físico e fisiológico, as vantagens da prática regular do exercício vão mais além, contribuindo para o bem-estar emocional e para melhoria psíquica e mental.
Daí que as pessoas que assumem o compromisso da prática regular, manifestam comportamentos de maior felicidade, boa disposição e vivem a vida com menos stress.

Para que se atinjam os objetivos descritos refira-se algumas indicações básicas para a prática:

- 30 min/dia de AF de intensidade pelo menos moderada parece estar associada a efeitos mais favoráveis aos níveis psicológico, social e ambiental, para influenciar o domínio físico é necessário ir um pouco mais além, sendo a referência os 60 minutos;
- prática de exercícios de resistência muscular 2 vezes na semana.

Ainda assim, mais de metade da população com mais de 15 anos não cumpre os critérios mínimos de atividade física recomendados, sendo o sexo feminino mais sedentário e é extremamente comum ouvir-se: “não tenho tempo” “não tenho condições” “a minha vida não permite” e as pessoas continuam a viver a sua vida de forma irresponsável, sem gastar com o seu bem mais precioso (o seu corpo) o tempo e o investimento necessário e continuam a tratar este aspeto com leviandade.

Na verdade, todos querem os benefícios, mas poucos querem fazer os investimentos, acima de tudo de esforço físico, tempo e disciplina para consegui-los.
A realidade atual é que os Portugueses sofrem, cada vez mais, de várias patologias relacionadas com o sedentarismo: 49,5% dos adultos têm excesso de peso ou obesidade, dois milhões são hipertensos e, aproximadamente, um milhão são diabéticos. Estas situações afetam a toda a sociedade, através da diminuição da qualidade de vida e do incrementar da despesa com a Saúde.

 2 - MERCADO DE OPORTUNIDADE
É neste contexto que vivemos atualmente, o que para nós profissionais do exercício físico só pode ser encarado como uma verdadeira oportunidade.

Ao nível público:
- Associações e instituições que desenvolvem atividades vocacionadas para o público em geral e especificamente para a população sénior;

Ao nível privado:
- Hotelaria;
- Ginásios e health clubs;
- Empresas de lazer e bem-estar;
- Parcerias com outras áreas da saúde (clínicas de fisioterapia, medicina alternativa,…)




Dr. João Santos
Director Regional de Juventude e Desporto
Tema: Estratégia de Desenvolvimento Desportivo – Presente e Futuro

Resumo:
Colocaram-nos o desafio de falarmos sobre o “Presente e Futuro do Desporto da Região Autónoma da Madeira”, num momento de extrema sensibilidade financeira, o que por si só limita a ação de quem lidera o processo estratégico desportivo.
Na nossa ação iniciada em finais de julho de 2012, procurámos estabelecer a ponte com todo o movimento associativo e outras entidades, para que com a sua colaboração fosse possível construir um novo modelo de apoio ao desporto federado, desporto para todos e infraestruturas, sempre de acordo com as atuais disponibilidades orçamentais.
A alteração mais substancial deste modelo é que o mesmo deixou de ser expansionista e passou a ser fechado e cingido à rigidez orçamental.
O futuro reserva-nos muito trabalho, principalmente em áreas como o relacionamento desportivo com as federações de modalidade, na defesa dos interesses da participação nacional, a sua forma de apuramento e repercussões desportivas negativas face à impossibilidade dos clubes participarem por restrições financeiras existentes nos apoios regionais e face à incapacidade existente do governo da república de garantir a igualdade de acesso aos desígnios da continuidade territorial. Esta situação leva-nos a questionar se esta circunstância será castradora do livre acesso à competição e percussora de uma estratégia que defina modalidades prioritárias no acesso nacional, tendo como referência a respetiva representatividade regional e nacional.
Na verdade temos de estar atentos em como continuar a garantir o desenvolvimento desportivo da RAM, principalmente através do modelo de apoio ao desporto regional, nacional e internacional, tendo como principais prioridades a promoção desportiva, a formação de técnicos, o apoio a infraestruturas e manutenção de instalações, a formação de jovens desportistas e os atletas de alto rendimento.
Por outro lado, existe a necessidade de potenciar a articulação com o ambiente e turismo, eventos e atividades que reforcem o papel da Madeira no turismo ativo. Reforçar a articulação com o desporto escolar e universitário, bem como com o desporto para trabalhadores e para militares. Promover a interação com a atividade física no âmbito do lazer e da prevenção para a saúde e bem-estar das populações de forma a democratizar o seu acesso.



Dr. Francisco Gomes
Presidente CAB Madeira
Tema: Quadros competitivos regionais: Que autonomia têm os clubes e as associações para os realizar?

Resumo:

O Desporto Regional vive uma fase histórica de transição entre um passado que é fonte de orgulho e o futuro que é marcadamente incerto. Para que, nos próximos anos, os agentes desportivos regionais possam planear a sua actividade com sustentabilidade e trabalhar de forma séria na prossecução das suas missões, é urgente compreender a complexidade do momento presente, as dinâmicas da nova proposta de apoios públicos ao Desporto e as múltiplas formas como a mesma poderá estimular e condicionar o futuro próximo.
Nessa análise, deve haver uma tomada de consciência de que a responsabilidade pelo que irá acontecer ao Desporto Madeirense dependerá, não só do que os líderes políticos e os agentes desportivos fizerem, isoladamente, na sua esfera de actuação, mas também do que conseguirem fazer conjuntamente em prol de objectivos que são de interesse comum e que valorizam o património social e humano da Região. Da qualidade e da fluidez do relacionamento entre todos os vectores inseridos no contexto desportivo emergirão os quadros desportivos do pós-crise.

Sabendo, de antemão, que o Desporto Madeirense do futuro será sempre diferente do que já foi no passado, compete a todos os que têm responsabilidades na matéria maximizar o aproveitamento dos recursos existentes, abandonar jogos de culpabilização e assumir uma postura construtiva, de respeito e de cooperação para com o que está em causa: a imagem e a competitividade da Região no país, na Europa e no mundo. Este alto desígnio pode e deve operar como motivação fundamental de tudo o que se faça de agora em diante.  



Dr. Armando Lopes
Escola Pedro Eanes Lobato - Universidade Lusófona
Tema: O percurso das Escolas de Futebol no Movimento Associativo Desportivo.


RESUMO:


O surgimento das Escolas de Futebol, no final dos anos 90 , deu início, ou pelo menos deveria ter dado, a uma nova forma de abordar o futebol.
O futebol passou a poder ser para todos, e não apenas para os mais aptos, as escolas de futebol ou escolinhas como vulgarmente começaram por ser chamadas. Estavam abertas a todas as crianças que quisessem praticar futebol independentemente de poderem vir a fazer parte das equipas de competição do clube onde praticavam. Passou a dar-se um fenómeno, que até aí era quase tabú, o futebol passava a ser pago, como acontecia já com outros desportos.
Os clubes passaram também a contar com uma fonte de receita extra, pois essa actividade era suportada na sua totalidade pelos encarregados de educação.
Após o aparecimento das Escolas de Futebol, verificaram-se várias linhas de intervenção. As mais comuns, foram, por um lado, com profissionais de Educação Física a assumirem a coordenação e mesmo as próprias aulas, centrando-se no ensino do futebol numa vertente mais formativa e pedagógica, muito idêntica ao que se faz na escola; por outro, onde treinadores dos escalões de competição tinham grupos de formação, como forma de maximização dos recursos humanos do clube.

Mais tarde, surgem projectos ligados ao SCP (Escolas Academia Sporting), SLB (Geração Benfica), FCP (Dragon Force) e AC Milan (Scuola Calcio).
Apesar das diferenças entre eles, existem elos comuns: metodologia semelhante, em cada um dos projectos, implementação forte da imagem do clube em questão e aproveitamento de jovens talentos.
Neste momento todos os clubes possuem as suas escolas de futebol, de forma independente ou ligados a um dos projectos já citados. Existem, no entanto, em ambos os casos, exemplos de sucesso e de insucesso.



Doutor Jorge Soares
Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano
Universidade da Madeira - Portugal
Tema: A Relação de Financiamento entre o Estado e os Clubes Desportivos: análise de critérios tendo em vista o desenvolvimento do interesse público do desporto

RESUMO:

 A Constituição da República Portuguesa (artº. 79) e a Lei de Bases da Atividade Física e do Desporto (2007) consagram o desporto como um direito de todos os portugueses, cabendo à Administração Pública (AP) apoiar as associações tendo em vista a promoção e generalização da prática da atividade física e desportiva. Porém, nem toda a prática desportiva representa uma atividade de interesse público, e numa relação de apoio do Estado aos clubes e associações desportivas, é necessário saber avaliar e tomar decisões tendo em vista o bem social e comum que o desporto proporciona.
Assim sendo, quais são os critérios que devem estar subjacentes ao processo de financiamento e de apoio da AP ao movimento desportivo associativo?
A comunicação desenvolve o conceito de interesse público numa lógica de discriminação positiva das práticas da atividade física e do desporto federado que contribuem para o desenvolvimento do interesse público do desporto. São apresentados vários critérios que devem ser atendidos numa relação de financiamento da AP com os clubes e associações desportivas, entre as quais destacamos: impacto social da atividade; regularidade e intensidade da prática competitiva; efeitos positivos do desporto e da atividade física no bem estar e na qualidade de vida das pessoas; eventos desportivos de nível nacional e internacional com impactos diretos e indiretos no desenvolvimento da economia e no nível desportivo; articulação e sustentabilidade dos escalões etários e níveis de competições na mesma modalidade; rácio de dirigentes voluntários por praticantes desportivos; capacidade de envolvimento de parceiros locais; capacidade de gerar receitas próprias; capacidade de atração de sócios; formação e habilitação técnica dos recursos humanos; utilização do desporto enquanto ferramenta de educação e socialização dos jovens; resultados desportivos de reconhecido nível internacional; aproveitamento dos atletas de alta competição para melhorar a qualidade da formação no treino e competição dos jovens talentos.

Palavras-chave: Interesse Público; Desporto e Atividade Física; Administração Pública; Associações Desportivas.


Dr. Rui Mâncio - Director Técnico da Associação de Futebol da Madeira
Tema: Adaptações na presente época desportiva. Propostas de futuro.
RESUMO:

O desenvolvimento desportivo pode ter a contribuição de muitos fatores. A implementação e condicionamento desses fatores são capazes de promover positiva ou negativamente não só a amplitude, mas também a celeridade do desenvolvimento.
No plano conceptual o desenvolvimento desportivo, pode ser entendido como um sistema, e como tal, a sua organização e funcionamento tem de possuir várias características, salientando-se a coerência como fundamental, ou seja o contributo concertado das estratégias e das ações, que visam fomentar a sua evolução.
Os calendários desportivos, são dos meios mais privilegiados e acessíveis que as associações de modalidade têm para intervir, nos muitos fatores de desenvolvimento desportivo da modalidade. Essencialmente no âmbito da formação desportiva, o sistema e estrutura desses calendários definem uma determinada filosofia e perspectiva de atuação nessa área.
· Assim, a adequação dos calendários desportivos ao escalão etário é fundamental, tendo como referência esse escalão e os respectivos conteúdos programáticos;
· A longevidade ao longo da época desportiva dos calendários desportivos é importante para garantir uma cobertura alargada na época desportiva;
· O número de jogos deve ser equacionado, a fim de garantir a evolução necessária aos jogadores;
· A distribuição doa competição também é um fator fundamental para tornar a competição como um elemento de avaliação ao próprio treinador;
· A forma como evolui a competição, com graus diferentes de dificuldade, pode ser facilitadora, nos escalões ditos de formação desportiva, para uma boa progressão e adaptação a níveis crescentes de exigência;
· O número de competições deve ser analisado por forma a não promover ao longo de cada competição níveis baixos de motivação às diferentes equipas.
· Por ultimo, a formação dos técnicos é decisiva, mesmo ao nível dos calendários, pois se por um lado a competição desportiva tem uma importância variável mas específica de escalão para escalão, a organização dos calendários desportivos deve ser aproveitada para valorizar o treino e a evolução desportiva dos jogadores.
Em geral, os quadros competitivos têm uma importância sobrevalorizada, mas não deve ser entendido como o fator mais decisivo na evolução de um atleta, pois isso seria negar a importância do treino desportivo.






2012


Dr. António Jorge Andrade
Organização do Desporto na Escola. Do 1.º CEB ao Ensino Secundário
Palavras chave: Desporto escolar, Clube desportivo escolar, alunos

“…o caminho faz-se caminhando”

As várias conquistas e sucessos alcançados no “percurso” do Desporto Escolar, na Região Autónoma da Madeira, são para nós fatores de orgulho e motivação. Não obstante a qualidade das atividades desenvolvidas, temos presente que muito ainda está por fazer, ou melhor, por desenvolver. Acreditamos que chegou a altura de, seguindo o mesmo caminho, procurarmos sobretudo a qualidade. Essa qualidade terá que emergir necessariamente de uma nova organização. A aposta terá de recair numa racionalização e rentabilização de todos os nossos recursos: financeiros, materiais e humanos.
Com competência, trabalho e, sobretudo, “Visão”, seremos capazes de dar uma boa resposta às necessidades que os novos tempos impõem. Aliás, recordemos, já em 1992, num documento entregue ao Dr. Brazão de Castro, então Secretário Regional da Educação, um conjunto de medidas e de preocupações que na altura entendíamos fulcrais para o desenvolvimento desportivo da RAM. Muitas dessas preocupações, contabilizando cerca de 16 anos, continuam atuais. O referido documento espelha claramente, julgamos, a nossa capacidade de “Visão” no que diz respeito ao Desporto Regional em geral e ao Desporto Escolar em particular. Desde então, as conhecidas propostas de trabalho não só no âmbito da organização como também na regulamentação, têm sido a fonte do desenvolvimento do desporto na escola. A formação do denominado Clube Desportivo Escolar (CDE) constituiu-se, também, como uma das nossas preocupações centrais.
Em 2002, encetámos um trabalho de pesquisa junto das escolas da RAM, que culminou com o planeamento e a organização do “I ENCONTRO REGIONAL DO DESPORTO ESCOLAR – a formação dos Clubes Desportivos Escolares” organizado em 10, 11 e 12 de Julho de 2003. Desses três dias de debate, depois de apresentados os resultados do nosso trabalho de pesquisa, resultaram várias diretrizes e conclusões que consideramos fundamentais para a implementação generalizada do CDE nas nossas escolas. Ainda que a atual conjuntura não se revista das mesmas nuances que a de então, relevamos a importância e a pertinência da maioria das conclusões obtidas. De facto, emergiram ideias e linhas orientadoras que importa considerar em todos os momentos. Desde já, e para nós a mais importante, a de que o desporto na escola, através do Desporto Escolar, é uma unidade central do projeto educativo.
Os resultados do trabalho atual do Desporto Escolar são sobejamente conhecidos e, inclusivamente, validados com estudos de índole científica. Este foi um modelo que “amadureceu” ao longo dos anos. Cresceu de acordo com as necessidades e especificidades dos nossos alunos e da Região Autónoma de Madeira! É por isso que ele é único, singular, e de sucesso! Neste sentido, assumimos inequivocamente a necessidade de continuidade deste modelo que, há vinte e cinco anos foi implementado na nossa Região, já que ele responde, com um grau de satisfação elevado, às motivações dos nossos alunos, das Direções Executivas e dos Encarregados de Educação.
Não podemos sonegar a nossa difícil situação nos vários domínios. As dificuldades apresentadas na Resolução n.º 818/2007 mostram-nos uma realidade muito difícil. A maioria das determinações apresentadas, não tiveram o impacto desejado junto das escolas, quer ao nível do desenvolvimento desportivo, quer ao nível organizacional. Continuamos a procurar o melhor caminho para atingirmos os melhores resultados – tendo sempre a formação dos nossos alunos como preocupação central. É para eles que trabalhamos. Nenhum interesse deve estar acima da FORMAÇÃO DOS NOSSOS ALUNOS.



Dr. Luís Drimond
ORGANIZAÇÕES LOCAIS E DESENVOLVIMENTO DESPORTIVO - REFORMAR / REFUNDAR

A organização desta conferência ao convidar-me para participar apresentado uma comunicação versando “Organizações Locais e Desenvolvimento Desportivo”, manifestou uma valorização da experiência de quase 2 décadas de intervenção em processos de desenvolvimento desportivo local.
Na comunicação que farei, centrarei inicialmente a apresentação nas minhas experiencias liderando projectos de intervenção local, dos quais se destaca o caso da Associação Desportiva do Campanário, mas também, uma retrospectiva sobre o trabalho realizado durante 12 anos, como fundador e coordenador do Gabinete de Desporto do Município de Ribeira Brava.
Complementando a experiência, procurarei centrar a comunicação, na reflexão e cenários de saída para a conjuntura atual que envolve o Desporto.
Reformar e ou Refundar, são as palavras chave que encontrei para o mote da estratégia de superação das actuais dificuldades do Movimento Associativo Desportivo Regional.
Acredito profundamente, numa perspectiva de saída positiva desta crise, com “ganhos diferentes” do Desporto e da Região.



Dr. Avelino Silva - Pres. Ass. Voo Livre da Madeira
Importância do gestor desportivo nas organizações desportivas e a formação do dirigente associativo/desportivo. Podem contribuir para minimizar/ultrapassar os efeitos da crise?

Analisando os dados demográficos, apresentados pelo Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira relativos ao Desporto regional desde 1974 até aos dias de hoje, é possível verificar que de fato houve um crescimento quantitativo e qualitativo nas várias dimensões do desporto: lazer, saúde e bem estar, formação, competição e alto rendimento, desporto escolar, … com resultados efetivos: mais modalidades praticadas, mais títulos nacionais e internacionais, mais instituições desportivas (clubes e associações), aumento e melhoria das infraestruturas, mais atletas, mais eventos desportivos, ...
Não é difícil associar este crescimento ao estado da região em abril de 74, onde se iniciou um ciclo de crescimento regional, com a construção de várias infraestruturas com o objetivo de melhorar a condição e melhoria do bem estar das populações. A conjuntura financeira até então, juntamente com os apoios financeiros da UE e com a influência/apoio da banca era possível sonhar e concretizar a maioria dos objetivos propostos por todos.
Este crescimento associado ao desporto, teve como principais autores dirigentes voluntários, que por diversos motivos (realização pessoal, identificação com o desporto, política, …) foram dando corpo e substância ao crescimento desportivo regional.
Entretanto, hoje, existe uma nova realidade económica – financeira, existindo a necessidade de (re)pensar num novo ciclo desportivo, com base em novos princípios de desenvolvimento sustentável, implicando a necessidade de respostas de conjunto aos desafios atuais.
Neste contexto, chegados até aqui, é necessário muito possivelmente valorizar os projetos desportivos em função da sua dimensão, estado de desenvolvimento, e objetivos comuns e integrados numa política integrada e estratégica.
Se nalguns casos o dirigente voluntário, continuará a ser determinante para o sucesso do desenvolvimento de alguns projetos, noutros, parece-nos que a complexidade, a importância estratégica global, o valor económico e social, a responsabilidade civil e tributária, … necessita de outro tipo de enquadramento, que os gestores desportivos devem e podem ser mais-valia.
Nesta perspectiva, iremos abordar a importância do gestor desportivo nas organizações desportivas neste atual quadro de referência.



Rui Marote
Reflectir sobre o passado e perspectivar o futuro.

 Como começou e porquê?
A Associação de Dirigentes Desportivos da RAM foi constituída em Dezembro de 2002, após o trabalho desenvolvido por uma Comissão nomeada e empossada pelo então Secretário Regional de Educação em 2001, para a elaboração de uma proposta de Estatuto do Dirigente Desportivo operante na RAM.
Ao terminar essa incumbência, a Comissão, entre as conclusões e recomendações que apontou à tutela, ressaltou a constituição de um organismo de representação colectiva desses dirigentes, com a disponibilização de apoios através do IDRAM, que facilitassem a constituição da Associação dos Dirigentes Desportivos da Região Autónoma da Madeira, a qual deveria constituir interlocutor principal em matéria de apoio a actividades destes agentes desportivos e cujos objectivos eram os seguintes:

1. desenvolvimento de acções que contribuam para a dignificação da função de Dirigente Desportivo;

2. na promoção desportiva, formativa, cultural e recreativa dos seus associados;

3. na dinamização de formas de cooperação com as estruturas sociais do desporto.

Dentro dos objectivos estatutários a ADDRAM estabeleceu parcerias e protocolos com a APOGESD, a Universidade da Madeira e IDRAM e organizou seminários, foruns e cursos para Dirigentes Desportivos, sobre temas da actualidade, e que eram preocupação dos Dirigentes Desportivos, alguns dos quais verdadeiramente actuais tais como o financiamento das Instituições, a sustentabilidade de todo o sistema desportivo, a fiscalidade, a segurança social e outros que são quase temas diários como o Marketing, o Direito do desporto, etc.
Além das acções atrás referidas, a ADDRAM fez parte dos Conselhos Desportivos regionais, constituída por Dirigentes desportivos e por outras personalidades indicadas pelo Governo Regional, onde se fizeram reflexões profundas ao modelo existente e já preocupados com o futuro, se tiraram conclusões, entre outras como uma forte aposta na formação e na Competição Regional, porque já se sentia não ser possível manter
por muito mais tempo os elevados encargos que as representações fora da Região acarretavam. Era chegado o momento da qualidade imperar em detrimento da quantidade.

1. Reflexão sobre o passado.
A política desportiva apoiada pelos sucessivos governos, não se pode esquecer o grande investimento em todas as infra-estruturas desportivas, permitiu um aumento de competição, em todas as modalidades, com forte presença a nível nacional e internacional, atingindo em algumas delas patamares de excelência.
A referida política permitiu aos Clubes, de uma forma geral, assumirem um papel educativo e formador, que ajudou a preparar centenas de milhares de crianças e jovens para a vida em sociedade, reduzindo a apetência por comportamentos desviantes, dos nossos jovens, e contribuindo também, para uma população, de novos hábitos e mais activa e saudável.
Num primeiro momento, foi importante, a afirmação através do desporto do nosso modelo competitivo, com resultados extremamente importantes, e que, permitiu, através da competição, os contactos dos nossos atletas jovens com outras realidades que só o desporto proporcionou.
Independentemente da competição não podemos deixar de realçar a forte componente social que o desporto permitiu.
No desenvolvimento desta politica, os Dirigentes desportivos da Região foram fundamentais e são dos melhores do país. Têm sabido e encontrado as soluções financeiras adequadas na medida em que são conhecidos os atrasos no apoio à competição regional, para manter ao longo dos anos a competição desportiva em toda a sua vertente, com grande incidência na área da formação.
A falta de motivação, em alguns casos, tem a ver com as diferenças nos apoios institucionais, o que levou alguns Dirigentes desportivos a alterar as suas opções.
O momento actual é um momento de maior dificuldade para todos os sectores da vida económica da Região, onde o desporto naturalmente não é alheio.
Como também é do conhecimento geral, este é um período de crise generalidade que se vive no mundo, no País e na Região.
As Instituições desportivas, devido a todas estas situações, são hoje confrontadas com graves problemas, que colocam em causa, não só a sua participação nas competições onde estão inseridas, mas também a sua própria sobrevivência.
Este é o momento oportuno para uma reflexão sobre a actualidade do Desporto da RAM, e, sobre as estratégias que deverão ser adoptadas, de forma a garantir a sua continuidade.

2. Quais as alterações para o desenvolvimento desportivo.
Sabendo do papel do desporto na nossa sociedade e tendo em linha de conta, porque tem sido público, que haverá uma nova filosofia, ou seja, uma nova politica desportiva, que surgirão novos regulamentos de apoio ao desporto, que as alterações não vão permitir a continuação de um modelo expansivo, e que, em virtude dos compromissos com os investimentos vão ser estabelecidas balizas, onde cada um terá de se organizar de acordo com essas regras, sugerimos os seguinte:

1 - Programar com os dirigentes desportivos das várias modalidades, reuniões de trabalho específicas, que tenham por objectivo a troca de opiniões, sobre as definições do novo modelo desportivo;
2 - Transmitir aos dirigentes com carácter de urgência, quais as novas orientações, e, os novos regulamentos, para vigorar a partir da próxima época desportiva;
3 - Apresentação de soluções que enquadrem a nova realidade financeira para o desporto regional;
4 - Grande aposta na formação, com grande incidência na área da competição, não descorando a formação dos agentes, como sejam, dirigentes, técnicos, árbitros, etc.
5 - Incentivo à competição regional para todas as modalidades, permitindo deste modo, e só depois de apurado o campeão Regional, ter acesso à competição Nacional que poderá ser feito através de selecções regionais, nas divisões inferiores;
6 - Apoio ao atleta madeirense, incentivando o seu desenvolvimento com apoios diferenciados aos clubes que mantiverem essa componente;
7 - Apoio aos dirigentes desportivos com intuito de incentivar os mais jovens para o dirigismo. Com as dificuldades actuais e com todos os problemas que nos últimos tempos têm afectado os dirigentes, torna-se cada vez mais difícil encontrar quem queira assumir essas responsabilidades;
8 - Criação de um órgão de consulta da tutela, constituído por personalidades relacionadas com o desporto, para análise, discussão e apresentação de propostas das melhores politicas a adoptar em cada momento, de acordo com as estratégias definidas, e que, permitam garantir a continuidade da competição em todas as suas vertentes, de acordo com a regulamentação nacional das diversas Federações desportivas;
9 - Criação de um departamento para o desporto profissional, atendendo às exigências e especificidades dessa área, à semelhança do que acontece nas modalidades em que essa componente se verifica;
10 - Definição de um modelo de apoio à criação de novas Associações e clubes que à semelhança das existentes irão desenvolver uma componente social muito importante que necessita de ser salvaguardado.
Os contributos que possamos dar são extremamente importantes nesta fase de maiores dificuldades da vida da Região. Queremos manter tudo aquilo que, com muito sacrifício, foi eficaz e diligentemente edificado ao longo de 30 anos, e que colocaram a Madeira, no patamar máximo da excelência Nacional.
Para bem dos nossos jovens


Jorge Soares
Universidade da Madeira
Centro de Investigação em Desporto, Saúde e Desenvolvimento Humano
j.soares@uma.pt

Erros de gestão no passado nas organizações desportivas e respetivas consequências. Alternativas aos subsídios públicos, existem?

Palavras-chave: Clube Desportivo; Gestão do Desporto;  Confiança do Cliente.

A comunicação explica como é que em tempo de fortes constrangimentos financeiros, a gestão do desporto pode ajudar a sustentabilidade dos clubes desportivos de pequena dimensão. São apresentadas algumas insuficiências e fragilidades dos clubes referentes a uma gestão irracional e demasiado dependente do financiamento público, e da política desportiva. A comunicação procura destacar um conjunto de medidas alternativas aos subsídios públicos, de forma a tornar os clubes desportivos mais sustentáveis e virados para a conquista da confiança de novos públicos-alvo. São também apresentadas propostas no âmbito da redução das despesas e do aproveitamento das oportunidades externas, tendo em vista o alcance dos objectivos estratégicos.


Dr. Juan Gonçalves
Modelo de Gestão de uma Associação - Desafios e Oportunidades

Sem querer aprofundar conteúdos meramente teóricos, relativamente ao quadro conceptual, do modelo de gestão das organizações desportivas, parece-nos importante explanar, nesta conferência, um conjunto de princípios, estratégias e considerações que estiveram na base da “construção” e implementação do modelo de gestão da Associação de Ténis de Mesa da Madeira (ATMM), pelo menos nos últimos 15 anos.
Se é verdade que este modelo ao longo dos anos foi sofrendo alterações e adaptações, tendo em conta as necessidades, realidades e prioridades da modalidade, assim como da própria sociedade madeirense, a essência deste modelo assentou continuamente em cinco setores (Promoção, Infraestruturas, Formação, Competição e Economia e Finanças), que têm sido basilares no Plano de Desenvolvimento Desportivo do Ténis de Mesa na RAM.
Todavia, nada disto seria possível se durante o trajeto de vida deste modelo não tivesse surgido uma política desportiva regional que o financiasse, bem como um movimento associativo (leia-se pessoas comprometidas, empenhadas e motivadas) capaz de o colocar em prática. 
Quanto ao futuro, para além de ser uma incerteza absoluta, pensamos que vale a pena sempre aperfeiçoar os atuais modelos!


Dr. Nuno Pinto
Universidade da Madeira
PROPOSTAS PARA UMA MUDANÇA DO PARADIGMA DE LIDERANÇA PARA OS GESTORES DO MOVIMENTO ASSOCIATIVO/DESPORTIVO


Nos tempos actuais, “pensar” o desporto será pertinente? Com esta questão daremos o mote para a nossa prelecção.
Acreditamos que a resposta a esta questão será relevante para colocarmos em perspectiva a importância do desporto nos tempos hodiernos.  Presentemente, deparamo-nos a nível internacional, nacional e regional com problemas, limitações, que no nosso entender, deverão ser percepcionados como desafios em áreas consideradas, quase que, unanimemente, prioritárias quando comparadas com o desporto.
No entanto, será mesmo assim? De que tipo de desporto estaremos a falar? Não raras vezes, o desporto é perspectivado como se se tratasse de um domínio monolítico. Mas, quando ouvimos falar de desporto, estaremos sintonizados com o significado que o nosso interlocutor está a atribuir a este fenómeno? Estará a referir-se ao desporto de alta competição? Ao desporto de formação? Ao desporto de recreação? Ao desporto de competição internacional ou nacional ou, ainda, regional? Ao desporto adaptado (na dimensão competitiva ou terapêutica)? Ao cluster desporto e turismo? À gerontomotricidade? À actividade física no âmbito da saúde? ...
Tomando por referência estas questões, torna-se liquido que o deporto é um “domínio” plural, que agrega sectores com especificidades diversas. Outrossim, esta pluralidade permite conceber projectos onde se podem articular diferentes sectores do desporto com o intuito de servir um propósito.
Por seu turno, a natureza deste propósito poderá alterar o grau de importância a ser atribuído ao desporto, tornando-o com maior prioridade (ou menor) no âmbito da “hierarquia das necessidades” de uma população.
Todavia, um dos denominadores comuns à totalidade dos projectos desportivos, independentemente da sua natureza, será sempre e de forma incontornável a existência de recursos humanos responsáveis pela sua concepção e/ou implementação, assim como, de um líder. Esta constatação impele-nos a perspectivar o estudo do processo de liderança no domínio do desporto como algo que encerra elevada pertinácia.
O interesse pelo estudo do fenómeno da liderança no desporto é reforçado se tivermos em consideração a posição de vários autores (e.g. Kotter, 2011) quando sustenta que num tempo de crise, convidativo à implementação de mudanças ao nível da eficiência e eficácia das Organizações, depende, ainda mais, da forma como é exercida a liderança de “topo”.
Neste âmbito, iremos apresentar alguns resultados de um estudo por nós desenvolvido com a finalidade de caracterizar, compreender e analisar a percepção dos treinadores principais e dos jogadores de equipas de um conjunto de modalidades desportivas colectivas da RAM. As equipas em estudo (n=34) competem na sua totalidade no escalão sénior, sendo que tomamos estudamos ambos os géneros.
Como método de recolha de dados elegemos um questionário, por nós concebido e, previamente validado. Aplicamos este questionário a 34 treinadores (os técnicos principais de cada equipa) e 406 jogadores.
Nesta comunicação iremos apresentar a forma como os treinadores principais e jogadores das equipas percepcionam o presidente do respectivo clube no que concerne: a) ao processo de definição de objectivos para a sua equipa; b) ao processo comunicacional; c) ao processo de tomada de decisão; d) à existência de um projecto no clube para a sua equipa (e quando se confirmar a sua existência, como se caracteriza).
A análise dos resultados levar-nos-á a lançar um conjunto de questões, cujas respostas acreditamos poderem contribuir para a construção de um novo paradigma da liderança no contexto dos clubes desportivos; capaz de aumentar as probabilidades de enfrentar os desafios que os tempos actuais e futuros, inevitavelmente, nos obrigam a enfrentar.



Dr. Carlos León
O futuro do movimento associativo/desportivo na RAM:
Apoio aos Transportes; Competição Desportiva Regional; Formação de Jovens.

Numa altura em que está a ser repensada a lógica dos apoios ao movimento associativo no âmbito da política desportiva da Região Autónoma da Madeira, e num contexto em que a contenção nos investimentos é palavra de ordem, torna-se pertinente identificar os sectores prioritários e definir os respetivos critérios para a atribuição de subsídios a Clubes e Associações.
Nesse sentido, parece fundamental em primeiro lugar determinar limites de apoio anuais ao movimento associativo desportivo que possam ser cumpridos e que não fiquem dependentes de oscilações resultantes dos desempenhos pontuais nas diferentes competições. Isto permitirá, por um lado, orçamentar de forma consistente o investimento que em cada ano, ou mesmo plurianualmente, o Governo Regional terá de fazer no Desporto e, por outro lado, dará atempadamente a real noção a Clubes e Associações daquilo com que poderão contar para os respetivos projetos.
Assim, nesta linha de raciocínio, Governo Regional e movimento associativo deverão encontrar as melhores soluções para fazer face às necessidades de cada modalidade, consoante os respetivos estádios de desenvolvimento na RAM, definindo nomeadamente os quantitativos máximos para investimento nos transportes e as apostas inerentes à competição desportiva regional e à formação de jovens, neste último caso tanto numa perspetiva educativa como numa lógica de preparação para o alto rendimento.


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